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Tamanduá-bandeira na lente da ciência

Projeto em parceria entre SEMAD-GO, Aliança da Terra e UFG estuda comportamento do mamífero e outras espécies em corredor ecológico na região de Caldas Novas (GO)


Desde o começo do mês de janeiro, tamanduás-bandeira e outras espécies de mamíferos passaram a ser monitorados dentro de uma área de preservação que está entre dois parques estaduais no Estado de Goiás. Eles estão sob as lentes de 14 armadilhas fotográficas instaladas no final do ano passado pela equipe do projeto “Bandeiras no Corredor”, que tem como objetivo compreender a dinâmica populacional dessas espécies e sua relação com episódios de fogo nas áreas de conservação.



Liderada pela pesquisadora Alessandra Bertassoni, doutora em Biologia Animal, mestre em Ecologia e Conservação e uma das maiores especialistas em tamanduás no Brasil, a iniciativa é fruto de uma parceria entre Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Desenvolvimento (SEMAD-GO), Aliança da Terra e Universidade Federal de Goiás (UFG), com apoio do programa Copaíbas do FUNBIO.


Na primeira fase do projeto, que ocorre até o fim do mês, as 14 câmeras foram instaladas – com participação do doutorando Filipe G. Lima, também pesquisador no “Bandeiras do Corredor” e auxiliadoo pelo brigadista Marcio Azevedo – em um campo piloto na região do corredor entre o Parque Estadual da Mata Atlântica (PEMA) e da Serra de Caldas Novas (PESCaN). Os registros fotográficos coletarão dados de mamíferos e das espécies focais, além de potencialmente documentar ameaças tais como espécies exóticas invasoras e atividades de caça e coleta ilegais.


A Aliança da Terra fornecerá estatísticas de focos de incêndio, além de auxiliar nas ações de campo com o trabalho da equipe da Brigada Aliança baseada no PESCaN. Apesar de o foco do estudo ser o tamanduá-bandeira, a pesquisa irá analisar outras espécies de mamíferos silvestres, a dinâmica populacional e a relação da fauna com episódios de fogo.

O objetivo do projeto é estimar o tamanho da população de tamanduás-bandeiras na região e o fluxo de indivíduos entre os parques, analisar o efeito das queimadas sobre os padrões populacionais da espécie, inventariar os mamíferos que usam as UCs e o espaço territorial do corredor que liga as duas áreas. “Os dados trarão compreensão dos requerimentos de hábitat, considerando o fogo como modelador do mosaico de áreas disponíveis, e fornecerão estimativas populacionais de tamanduás e de outras espécies detectadas na área”, explica Alessandra.

“Os resultados desse trabalho auxiliarão no planejamento e implantação oficial do corredor ecológico de conexão entre PEMA-PESCaN - conectando áreas de Cerrado à rara Mata Atlântica goiana - junto à SEMAD-GO, pois trazem informações sistemáticas e adequadas para serem aplicadas”, afirma.


Confira, abaixo, entrevista com a doutora Alessandra:


Qual são as próximas etapas e qual o prazo de duração previsto?

O estudo está em fase inicial. A próxima etapa é a instalação da grade de armadilhas, que consta em 76 pontos amostrais, distantes em 3km. O projeto terá duração de 2 anos com ideia de prorrogação.


Quando todas as 72 câmeras estarão operando?

Acreditamos que estarão todas instaladas até o próximo mês de março.


Além das câmeras, há outras formas de monitoramento dos animais?

Oficialmente, não. Mas, registros oportunísticos podem ser considerados. Por exemplo, em dezembro filmamos uma tamanduá fêmea com seu filhote e isso é um dado que pode ser complementado com outras observações diretas em campo.


Por que o tamanduá-bandeira?

O tamanduá-bandeira é um animal que tem sofrido com as modificações antrópicas nos habitats naturais e sua população está em declínio tanto nacionalmente quanto internacionalmente, sendo considerado um animal vulnerável a extinção. Assim, compreender como essa espécie desse mamífero de grande porte utiliza o ambiente entre duas unidades de conservação e como está a dinâmica populacional local é importante para a sua conservação.


Qual a importância da presença da Brigada Aliança nos parques e como elas contribuirão para a pesquisa?

A Aliança da Terra é parceira deste projeto desde sua concepção. Como o tamanduá-bandeira é uma espécie susceptível ao fogo, compreender frequência e intensidade de incêndios no local de estudo é de suma importância. A Aliança vai nos auxiliar diretamente nessas análises com seus técnicos ambientais. Além disso, em campo, os brigadistas já têm nos auxiliado na abertura de trilhas e acompanhamento em campo. Pra além, a brigada já se disponibilizou a nos auxiliar com imagens de drones. É uma rica parceria entre UFG, Aliança da Terra e SEMAD-GO.

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