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Os perigos de incĂȘndios e queimadas no Cerrado

  • luizfsa7
  • 16 de jan. de 2024
  • 3 min de leitura

Professor do Centro Universitårio de Brasília fala sobre as principais diferenças em relação a esses dois fatores e de seu impacto sobre um dos biomas brasileiros que mais tem sofrido com focos de calor



De acordo com dados do MapBiomas, o Cerrado foi o alvo de 31,5% do total de queimadas em 2023, tornando-se o segundo bioma que mais foi afetado pelo fogo. A perda com åreas incendiadas chegou a 4,9  milhÔes de hectares.


Por conta da gravidade desse impacto, e para contribuir com a prevenção dessa situação, o professor de CiĂȘncias BiolĂłgica do Centro UniversitĂĄrio de BrasĂ­lia (CEUB), Stefano Aires, fez uma anĂĄlise sobre as diferenças entre queimadas e incĂȘndios e as consequĂȘncias de ambos para a fauna, a flora, os recursos hĂ­dricos e o clima da regiĂŁo de maneira geral.


O professor Stefano Aires esclarece que as queimadas sĂŁo prĂĄticas controladas, utilizadas para ajudar a reduzir incidĂȘncia e o prejuĂ­zo do fogo em ĂĄreas rurais. Essa medida, realizada de forma planejada e com autorização prĂ©via dos ĂłrgĂŁos ambientais, pode ser uma importante ferramenta no sentido de eliminar o acĂșmulo de material combustĂ­vel e renovar roças e pastagens ressecadas.


Sendo realizado de forma correta, o manejo do fogo é positivo e estå dentro de procedimentos que fazem parte da rotina da Brigada Aliança.


JĂĄ em relação aos incĂȘndios, Aires explica ser a incidĂȘncia do fogo, de forma descontrolada, com origem acidental ou criminosa. “E muitas vezes causada pelo homem”, afirmou o professor.


Quando se trata de incĂȘndio, Ă© comum a situação fugir ao controle, pois alĂ©m de envolver mĂșltiplos focos, se espalha de maneira muito rĂĄpida e abrangente.


A redução do acĂșmulo de matĂ©ria seca – material combustĂ­vel –é importante para o Cerrado, por ser um bioma naturalmente propĂ­cio aos incĂȘndios. A combinação de ventos intensos e baixa umidade relativa eleva os riscos, que podem vir a ser uma fatalidade, a partir da queima de pastagem ou de lixo sem o devido cuidado, com o fogo assumindo proporçÔes incontrolĂĄveis.


Como explica o professor Aires, os incĂȘndios ocorridos na estação seca, o inverno, tĂȘm origem antrĂłpica, ou seja, resulta de alguma ação humana. E acontecem exatamente quando o material combustĂ­vel estĂĄ mais seco. Nessas condiçÔes, qualquer ocorrĂȘncia de fogo pode ganhar dimensĂ”es enormes, assim como o grau de dificuldade para o combate e o controle.


Além disso, a repetição dessa situação ao longo dos anos deixa marcas que custam muito caro para a produção agropecuåria e a preservação, pois prejudica até a capacidade natural da vegetação se regenerar. Esse cenårio intensifica a mortalidade de espécies vegetais e animais na årea afetada.


O fogo ainda pode remover a cobertura do solo, deixando-o mais exposto ao impacto das chuvas e de outros efeitos climåticos, o que causa erosÔes e desmoronamento em åreas de encosta.


O solo também acaba sofrendo mais com as altas variaçÔes de temperatura, o que provoca a morte de microrganismos e, consequentemente, tira a fertilidade da terra. Dessa forma, a årea fica mais desafiadora tanto para o plantio quanto para a regeneração da vegetação nativa. 


Os incĂȘndios de origem natural costumam ocorrer jĂĄ no começo da Ă©poca das ĂĄguas, a estação mais chuvosa, a partir de outubro, quando a parte combustĂ­vel estĂĄ mais Ășmida. “Esses incĂȘndios sĂŁo iniciados por raios e tendem a atingir ĂĄreas menores”, afirmou Aires. “TambĂ©m ocorrem em maiores intervalos de tempo, permitindo uma regeneração da vegetação nativa.”


As ocorrĂȘncias de fogo em florestas, de maneira geral, tĂȘm grande impacto sobre o clima e o meio ambiente. A queima das plantas contribui para o aumento da temperatura, devido ao excesso de CO2, e redução da umidade, o que tambĂ©m diminui o volume de chuvas, pois a quantidade de plantas responsĂĄveis pela evaporação da ĂĄgua acaba ficando menor.


A prevenção Ă© o melhor caminho para evitar tal cenĂĄrio evolutivo de degradação. Para isso, de acordo com o professor Aires, Ă© fundamental ter mais fiscalização, capacitação e manutenção de brigadas de incĂȘndio permanentes prĂłximas Ă  ĂĄrea de interesse. “E uma possĂ­vel ampliação do nĂșmero de brigadistas. Assim como renovação de equipamentos e viaturas”, disse.


O especialista destaca ainda a relevñncia da educação ambiental e da conscientização da população sobre o perigo gerado pelo fogo, “que pode gerar riscos aos assentamentos urbanos e à vida das pessoas”.


A Brigada Aliança consegue resultados muito positivos em combate, controle e prevenção do fogo exatamente porque combina tecnologia social, visĂŁo e ação estratĂ©gicas em campo, inteligĂȘncia digital e liderança. 

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