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Uma aliança duradoura

Atualizado: 7 de dez. de 2021

Treinador das nossas primeiras equipes, o americano Forrest Behm fala sobre a parceria da USFS com a Brigada Aliança e da evolução dos guerreiros do fogo



Forrest (ao centro), em visita ao Brasil para treinamento com a Brigada Aliança


Forrest Behm tem o nome apropriado para o que faz. Em inglês, forest (com um r só, um pouco diferente do seu nome) significa floresta. Há 31 anos ele combate incêndios em matas com o Serviço Florestal dos Estados Unidos (USFS), onde atua até hoje em diferentes missões. O americano tem uma forte ligação com o Brasil. Em 2010, Forrest foi um dos treinadores dos primeiros brigadistas da Aliança da Terra como Edimar Abreu, hoje comandante da Brigada Aliança, e Osmano Santos, líder da Brigada de Anastácio e comandante de operações e treinamentos no Pantanal.


Edimar e Santos foram alguns dos indivíduos identificados no treinamento inicial como possíveis líderes. “Dava para perceber que eles estavam lá porque sabiam que queriam ser brigadistas. Eles aprenderam muito rápido e eram indivíduos fisicamente fortes. Nem todo mundo foi feito para ser brigadista, mas eles tinham paixão por isso e exibiam uma liderança natural”, relembra Forest.


“Meu primeiro dia de treinamento foi algo muito novo pra mim. Eu tinha um propósito que era fazer parte de uma equipe de combate a incêndio florestal que estava se iniciando no Brasil. Tinha uma necessidade enorme de se ter uma equipe que pudesse mostrar resultado em campo. Cada exemplo e conteúdo que foram desenvolvidos durante treinamento era algo novo pra mim e eu estava muito atento a isso porque precisava captar as mensagens. Depois do treinamento teórico, era fazer o treinamento prático no campo e tudo começava a fazer sentido”, conta Edimar.


A naturalidade nossos dos guerreiros do fogo, junto com o conhecimento local, fizeram de Edimar e Santos líderes natos, na visão de Forrest. “O conhecimento e as informações locais são muito importantes para o combate a incêndios. Conhecer as condições locais, a ecologia do Pantanal, Cerrado ou Amazônia é absolutamente fundamental para entender como combater o fogo.”


Para Forrest, além do conhecimento e treinamentos, é preciso ter paixão pelo trabalho. “O fogo, onde quer que esteja, é o mesmo. O que faz a diferença são as pessoas que estão cumprindo a missão. É importante ter um grupo central de indivíduos dedicados, que fazem do trabalho um estilo de vida, um compromisso, e que sejam apaixonadas pelo trabalho. Você tem que confiar suas vidas um ao outro. Vejo a mesma camaradagem entre os brigadistas da Aliança da Terra”, afirmlou Forrest em entrevista ao nosso blog.

Confira a seguir os principais trechos da conversa com ele:


Conte-nos um pouco sobre seu trabalho com o USFS.


Forrest Bem: Comecei há 31 anos, em 1991. Trabalho para o USFS desde então em vários cargos. Comecei a trabalhar com equipes manuais e de motor, algum tempo com helicópteros e as equipes de Hotshot. Passei os primeiros 15 anos de minha carreira alternando entre as equipes de incêndios florestais e os bombeiros e também tive alguns cargos de liderança em algumas equipes locais do distrito. Então comecei com os Smokejumpers e fiz isso pelos próximos 13 anos. Sete ou oito anos atrás, passei desse cargo para o meu cargo atual, que é Especialista em Manejo do Fogo.

Atualmente, trabalho em Idaho e sou responsável por uma série de equipes e recursos. Eu gerencio um programa de detecção, prevenção e supressão. Além disso, sou um oficial de serviço da Floresta Nacional de Payette, que tem cerca de um milhão de acres (o equivalente a pouco mais de 400 mil hectares).


Como começou seu relacionamento com a Aliança da Terra e a formação da Brigada Aliança?

FB: Tudo começou em 2010. Fui recrutado por Renee Jack, da USFS. Tendo uma longa experiência em gerenciamento de incêndio e com muitas viagens que fiz ao longo de muitos anos da minha vida, isso fez uma boa combinação. Eu já tinha me envolvido com outro trabalho internacional no passado por meio do Serviço Florestal.


Como foi o primeiro treinamento para a Brigada?

FB: No primeiro treinamento ensinamos os ensinamentos básicos do fogo e o comportamento. Ensinamos gestão de risco, segurança, comportamento do incêndio, uso de ferramentas e equipamentos, como se comunicar e se organizar efetivamente. Era basicamente uma escola de bombeiros e os alunos eram, em sua maioria, da comunidade local. Identificamos alguns indivíduos muito fortes neste primeiro treinamento, que tiveram um desempenho muito bom. Na semana seguinte fomos ao Xingu e lá fizemos um treinamento com a tribo Kayapó e outras tribos indígenas com alguns funcionários da Aliança da Terra também.


Qual é a ciência por trás do controle do fogo?

FB: Temos o triângulo do fogo, onde detectamos quais são os aspectos científicos envolvidos no fogo, como combustíveis e uma fonte de calor e oxigênio. Além disso, temos que entender diferentes topografias, clima e os combustíveis que alimentam o fogo. Nosso foco é ensinar às pessoas como o clima afeta o fogo. Isso ajuda a informá-los a construir suas táticas de combate.

Nos treinamentos, ensinamos sobre os diferentes tipos de combustíveis que eles podem encontrar em diferentes áreas do Brasil. O Cerrado é mais seco e o capim propicia a rápida propagação do fogo. No Pantanal, é diferente. Existe mais umidade no solo. No Xingu, as árvores são mais densas. Com as diferentes condições de combustível lá, você emprega táticas diferentes para suprimir incêndios.


Já se passaram onze anos desde o primeiro treinamento da Brigada Aliança. Como você vê a evolução da equipe?

Pessoalmente, é muito satisfatório. É muito gratificante ver a continuação, ao longo dos anos, não apenas dos treinamentos que temos feito, mas também do crescimento dentro do programa e dos funcionários da Aliança da Terra. Alguns dos principais integrantes da Brigada Aliança foram identificados no primeiro treinamento e foram expostos ao combate de fogo pela primeira vez naquela ocasião. Agora, eu diria que eles são especialistas na área - um grupo de indivíduos altamente treinados e experientes.

Com o passar dos anos, passamos de instrutores para participantes, vendo aqueles funcionários se tornarem os instrutores e nós apenas auxiliamos. Hoje eles são capazes de treinar novos brigadistas e criar novas equipes. Eles tiveram muitas experiências reais e verdadeiras, além do treinamento que receberam, e são amplamente capazes de continuar por conta própria.

O último encontro que Forrest teve com a Brigada Aliança foi há alguns anos, quando a equipe recebeu treinamento avançado em supressão de incêndio.

“Depois que todos os funcionários tiveram o treinamento de introdução ao combate a incêndio, desenvolvemos um currículo de treinamento avançado, ensinando mais sobre liderança, tomada de decisão e gestão de risco.

É um modelo de negócio de sucesso que eu sei que funcionou em muitos lugares com condições de incêndio semelhantes. É uma ideia bem-sucedida ter um grupo central de profissionais altamente treinados, cujo trabalho é ser capaz de fornecer uma liderança quando o perigo de incêndio é muito alto ou quando sua área está sendo ameaçada. ”



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