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Tecnologia para salvar o Pantanal e outras florestas

Sistema de Inteligência Territorial da Brigada Aliança usa três plataformas para detectar incêndios com agilidade e precisão

A obra é de ficção, mas foram cenas da vida real que trouxeram um componente dramático aos capítulos da novela Pantanal, da rede Globo, na última semana de junho. Captadas por documentaristas durante os grandes incêndios que consumiram grandes áreas de preservação em 2020 e inseridas no contexto do folhetim, as imagens do fogo destruindo matas, vitimando animais e trazendo prejuízos para produtores rurais na região relembraram a grande tragédia ambiental que chocou o país.


Naquele ano, mais de 3 milhões de hectares foram queimados, provocando a morte de milhares de animais e a destruição de ricas reservas de matas. As dimensões do evento foram impressionantes, mas é ainda mais preocupante saber que as condições para que ela se repita continuam presentes. Índices pluviométricos insuficientes levaram o Pantanal, assim como regiões do Cerrado e as de transição para a Amazônia, a registrar o terceiro ano consecutivo de secas extremas.


O fogo virá e evitar que os incêndios se alastrem dependerá da pronta ação de personagens que a ficção nem sempre valoriza: os brigadistas. A resposta rápida deles é um dos principais componentes do sucesso no combate a incêndios florestais. Detectar focos de incêndio logo no seu início e deslocar uma equipe especializada até o local pode ser a diferença entre extingui-lo rapidamente ou vê-lo se espalhar, atingindo grandes áreas de vegetação ou mesmo de infraestrutura nas fazendas.

Telas com imagens dos sistemas de monitoramento na base da Brigada em Anastácio (MS)


Por isso, a Brigada Aliança tem, ao longo dos anos, investido em tecnologia para que os líderes de suas bases recebam alertas quase em tempo real assim que um novo incêndio é identificado em suas respectivas áreas de atuação – além do Pantanal, onde conta com cinco bases, a Brigada mantém também seis equipes em áreas de conservação e parques estaduais de Goiás.


Todas elas contam com o apoio do Sistema de Inteligência Territorial da Brigada Aliança, conectado a três diferentes plataformas de monitoramento com envio de alertas em tempo (quase) real: o Fire Information for Resource Managemente System (FIRMS), da agência espacial americana Nasa, o Monitor de Queimadas da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento de Goiás (Semad-GO), e o Sistema Pantera, da startup umgrauemeio, que une detecção satelital e torres de monitoramento.


Imagens de satélite garantem uma cobertura quase permanente de todas as áreas monitoradas pela Brigada Aliança. Esses satélites cobrem o território brasileiro algumas vezes por dia, enviando imagens e notificações diretamente para os smartphones dos líderes das brigadas, com as coordenadas geográficas dos eventuais focos de calor.

Exemplos de imagens recebidas pelos brigadistas em seus smartphones


A partir dessa informação, os guerreiros do fogo fazem uma verificação que utiliza outros dois níveis previstos no Sistema de Inteligência Territorial. Com os dados do sensoriamento remoto por satélite, aliados a informações climatológicas (temperatura, chuvas, ventos, etc), são definidas áreas prioritárias para o monitoramento terrestre. E também é acionada uma imensa rede de apoio, construída pelas brigadas assim que uma base é instalada.


Graças ao relacionamento com produtores e com as comunidades nos entornos de suas bases, os brigadistas estreitam laços e criam uma relação de confiança. Há também grupos por região através de canais como WhatsApp. Com isso, a própria comunidade atua como uma fonte segura para alerta aos incêndios e/ou validação de alertas recebidos via outros sistemas de satélite e torres de monitoramento.

Combate de incêndio em fazenda na região de Pedra preta (MT): apoio dos produtores faz diferença


O relacionamento com a comunidade e criação da rede de apoio integra toda a estratégia de atuação e foi incorporada à Brigada Aliança por meio de líderes formados pela elite das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos. De acordo com Caroline Nóbrega, gerente-geral da Aliança da Terra, “esse conhecimento social, que vem sendo aprimorado ao longo dos anos, hoje integra um dos principais sistemas de inteligência da Brigada Aliança: a tecnologia social”. Para se ter uma ideia da importância desse sistema, em 2022, dos 10 incêndios combatidos no município de Pedra Preta, MT, até o final de junho, em 9 casos a Brigada foi acionada pela comunidade.


O resultado desse trabalho em 2021 foi a atuação em 104 combates a incêndios em 24 municípios da região do Pantanal e zona de transição para o Cerrado. As cinco bases da Brigada Aliança na região (Cáceres, Poconé, Pedra Preta e Araputanga, no Mato Grosso, e Anastácio, no Mato Grosso do Sul) cobriram uma área total superior a 9 milhões de hectares, obtendo importantes reduções nas áreas queimadas:


· Araputanga: Redução de 74% na área queimada

· Cáceres: Redução de 97% na área queimada

· Poconé: Redução de 56% na área queimada

· Pedra Preta: Redução de 97% na área queimada


O mesmo modelo é aplicado pela Brigada Aliança nas outras áreas em que atua, como nos parques estaduais de Goiás, em parceria com a SEMAD-GO. “A ação dos guerreiros do fogo não se limita às fazendas ou áreas de preservação cadastradas, mas também às áreas vizinhas, agindo de forma preventiva”, afirma Caroline.


Além dos alertas de incêndios enviados pelo sistema de inteligência da Brigada, os líderes das bases contam com ferramentas tecnológicas que permitem uma análise da situação meteorológica (temperatura, ventos e chuvas) em suas regiões, de forma a determinar o risco de o incêndio se alastrar e, assim, determinar a melhor estratégia de combate. “O líder é a pessoa que não olha para o fogo. Ele olha para todo o resto: para a vegetação, relevo, direção do vento e, principalmente, para as pessoas, preocupado com a segurança de todos”.


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