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  • Foto do escritorDaiany Andrade

Série Mil Combates: A marca da evolução da Brigada Aliança

De uma equipe com apenas 10 guerreiros para uma corporação altamente estruturada, tecnificada e capacitada para combater o fogo onde ele estiver




No início dos anos 2000, os produtores rurais da região nordeste do estado do Mato Grosso sofriam com os grandes incêndios que devastavam a vegetação local e levavam junto pastagens, animais, equipamentos, além de ameaçar as casas e a vida de quem morava por ali.


Foi nesse cenário de desespero e de extrema apreensão que nasceu, em 2009, a Brigada Aliança. O objetivo era simples e direto: ajudar a população local e os produtores no combate a esses incêndios. Mas desde o início a Brigada já passou a atuar de forma bem mais ampla.


“Apesar de ter sido pensada como apoio aos produtores rurais, que se queixavam que em situação de emergência não tinham para quem pedir apoio, a Brigada Aliança desde o começo passou a ser demandada para prestar apoio a outras áreas que não só as áreas privadas”, explicou a diretora geral da ONG Aliança da Terra, Caroline Nóbrega. 


As solicitações eram para a Brigada atuar também nas áreas de vegetação, nas Unidades de Conservação da região e em áreas indígenas.


A primeira equipe era formada por dez guerreiros que foram treinados na época por especialistas do Serviço Florestal dos Estados Unidos. “Esses dez primeiros eram realmente desbravadores que iam para o ambiente de combate muitas vezes sem estrutura, sem apoio. Eles iam realmente para cumprir a missão. Muitas vezes sem informação do que iam encontrar”, lembra Caroline.


Hoje, 15 anos depois e ao passar a marca de mil combates, a Brigada Aliança vive uma realidade completamente diferente. Tanto o perfil como a forma de atuação mudaram totalmente.


“Nós temos equipes que são constantemente alimentadas por informação de satélite e pela rede de contato. São equipes que trabalham com planejamentos estratégicos. Existe um reconhecimento da área onde eles vão atuar, um estudo por meio de estudos básicos, Planos Operativos e/ou Planos de Manejo Integrado do Fogo (PMIF). Mesmo quando a gente não consegue fazer algo tão aprofundado como um PMIF, as equipes ainda têm muitas informações em mãos”, detalha a diretora da ONG Aliança da Terra.


Além de poder acessar muitas dessas informações pelo celular, como dados sobre direção do vento e precipitação, os brigadistas ainda contam com carros bem equipados, treinamentos e capacitações contínuas, apoio de uma equipe técnico-científica no escritório da Aliança da Terra que está sempre à disposição, e drones para o reconhecimento das áreas.


“A gente não consegue fazer tudo sozinho. A gente precisa muitas vezes de um biólogo, de um agrônomo, um engenheiro florestal, a gente precisa de pessoas especializadas em certas plantas, certos animais”, destacou o comandante da Brigada Aliança, Osmano Santos, que, aliás, é um dos poucos da formação atual que fizeram parte da primeira equipe de brigadistas.


“Eu sempre falo: a sua força não está no seu braço e não está nos seus melhores EPIs — Equipamentos de Proteção Individual—. A força do guerreiro está na sabedoria e na inteligência”, reforçou ele.


O grande diferencial da Brigada


Mas não se enfrenta o fogo apenas com uma equipe altamente capacitada e com a ajuda da tecnologia. Há um outro componente fundamental para o sucesso da atuação da Brigada, um fator que sempre foi respeitado e elevado ao mais alto grau de importância: o fator social.  


“Outro ponto forte é a questão da tecnologia social. A aproximação com as comunidades, com os moradores do entorno das Unidades de Conservação, com comunidades indígenas, com os proprietários das fazendas. Isso é um ponto muito forte da Brigada”, disse a coordenadora de projetos da Aliança da Terra, Joisiane Araújo.


“Todo esse aparato tecnológico, junto com a expertise da Brigada e o apoio das comunidades formam um combo completo para que se tenha uma resposta rápida e eficaz diante dos incêndios e até mesmo nas ações de prevenção”, completou ela.


Para entendermos o quanto esse é um ponto forte dentro da Brigada, a diretora Caroline Nóbrega lembrou de um episódio que ocorreu durante a pandemia de Covid 19.


Na ocasião, foi necessário enviar duas equipes da Brigada para ajudar a combater incêndios que haviam se alastrado na Terra Indígena do Xingu, no Mato Grosso.


Para isso, foi necessária uma autorização especial dos órgãos ambientais, pois naquele momento as áreas indígenas estavam totalmente fechadas, ninguém podia entrar. “Foi muito dramático”, contou Caroline.


Foram dias de combates extremamente tensos e difíceis. Mas mesmo em uma situação crítica os guerreiros não deixaram de ouvir quem realmente conhecia aquela área. “Eles chegaram para servir e não para serem os salvadores da pátria”, disse a diretora geral.


As equipes da Brigada passavam o dia em combate e, no final do dia, elegiam um representante para ir até a aldeia explicar o que estava sendo feito, qual a situação dos combates e, principalmente, discutir o planejamento do dia seguinte.


“As comunidades tinham suas áreas sagradas, tinham as áreas dedicadas às plantas medicinais, elas é que sabiam onde deveria ser prioridade”, reforçou Caroline.


O diálogo é o respeito às comunidades locais sempre fizeram parte da atuação da Brigada Aliança e são um dos principais diferenciais que a ajudaram a se tornar referência no trabalho de prevenção, controle e combate a incêndios florestais e em áreas agrícolas.


“O objetivo é apagar o fogo, mas sempre com respeito. No final das contas o que importa são as pessoas, tanto as que estão em combate quanto as que moram na região afetada pelo fogo”, destacou a diretora geral.   

 

 

 

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