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  • luizfsa7

Cuidando do próprio lar

Há 15 anos, Gedeon Alves de Souza se dedica à proteção de tracajás e tartarugas da Amazônia na região das praias do Rio das Mortes, local onde nasceu e vive até hoje



Cada profissional que integra a Aliança da Terra tem motivações muito particulares, que se somam aos objetivos da instituição, para desenvolver sua atividade. Um bom exemplo dessa relação é Gedeon Alves de Souza, cujo trabalho na organização tem um significado bastante especial.


Nascido em Novo Santo Antônio, município de Mato Grosso que já foi distrito de São Félix do Araguaia, Gedeon ainda vive no local. Já são 49 anos morando próximo ao Rio das Mortes, e 15 deles vêm sendo dedicados à preservação do meio ambiente, especialmente de algumas espécies da fauna brasileira.


Responsável pelo Projeto Quelônios do Rio das Mortes, criado pela Aliança da Terra em 2006, o mato-grossense trabalha protegendo tracajás (Podocnemis unifilis), uma espécie de cágado, e as tartarugas da Amazônia (Podocmenis expansa), que vivem e se reproduzem nas praias da região onde mora.


Nesse período todo, o projeto foi mantido com recursos da Aliança da Terra e contribuições de apoiadores. A cada ano, assim como o trabalho de Gedeon, renova-se o ciclo da busca por financiadores, sejam eles empresas ou pessoas físicas. Para saber como apoiar, entre em contato com a Aliança da Terra.

Guardiões da natureza

Gedeon já atuou sozinho, com auxiliares e com voluntários. E hoje, nessa missão, tem a companhia de sua esposa, Fátima Rosa Vilela de Souza, que ingressou no projeto como voluntária e agora é uma colaboradora efetiva.


O casal contribui com a preservação de tracajás e tartarugas em seis praias: da Gaivota, Rancho Boi, Lago do Pinto, do Sarã, Lago Azul e a Rancho Um, que se transformou em uma ilha. Ao todo, são 12 km de área de proteção.


Faz parte da rotina de Gedeon monitorar, também, o nascimento dos filhotes das duas espécies, o que envolve identificar, enumerar e catalogar os ninhos nas praias. Tal controle permite saber quando os ovos vão eclodir. E assim que acontece, é feita a soltura no mesmo local de nascimento.

Na prática, Fátima e Gedeon encaminham os filhotes para a praia, pois eventualmente precisam de ajuda. “Sabemos quando vai ocorre a eclosão dos ovos. Se passar o tempo para esse processo, a gente cava, tira o filhote de dentro da casca e o ajudamos a chegar até a água”, explica Gedeon.


Parte do seu trabalho se concentra nos meses de junho e julho, quando começa a descoberta das praias e as margens ficam mais visíveis. Nessa época, a vigilância se intensifica.


“Em julho, principalmente, trabalhamos no feriado e fazemos algumas ações de vigilância à noite, pois aqui na região existe um hábito de comer essas espécies de quelônios. Virou um comércio e tem demanda grande, por isso nosso cuidado”, explica o técnico, comentando já ter recebido várias intimidações pelo trabalho que vem realizando.

Referência e propósito

Gedeon não tem formação universitária em sua área, mas as pessoas que cruzaram seu caminho e a própria experiência de vida o ensinaram a realizar seu trabalho com excelência.


Hoje, o mato-grossense é referência no atendimento aos quelônios, contribuindo, inclusive, como voluntário no trabalho feito pelo Ibama e outros órgãos ambientais nas redondezas, sobretudo no refúgio de vida silvestre Quelônios do Araguaia.


Para Gedeon, é um privilégio carregar tal missão, pois contribui para o cuidado do lar de milhares de animais e também do seu. “Gosto demais, é uma causa própria, defendo com unhas e dentes”, finaliza.

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