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Pelas Trilhas do PESCaN

Atualizado: 18 de fev.

A ciência, as riquezas e as belezas do Parque Estadual da Serra das Caldas Novas são tema de um livro infanto-juvenil a ser lançado em breve em Goiás




A educação ambiental é um dos pilares de atuação da Aliança da Terra. Ao longo dos seus 18 anos, a ONG esteve presente em dezenas de ações que visam a levar conhecimento sobre a importância de se preservar flora e fauna nativas, além de adotar medidas preventivas para evitar incêndios florestais nas propriedades rurais. Em todas essas ações, o desafio é semelhante: como se comunicar com públicos tão diferentes, que vão de trabalhadores rurais a estudantes de escolas urbanas?

A resposta é moldar a linguagem à audiência. Exemplo disso é um livro, em fase final de produção, que vai apresentar ao público infanto-juvenil as riquezas do Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN), no Sudeste de Goiás. Fruto de uma parceria entre a Aliança da Terra, a Universidade Federal de Goiás, o PESCaN e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad-GO), a obra se propõe a mostrar, de forma didática e ilustrada, informações científicas recolhidas durante décadas de estudos realizados no Parque.

Coube à pesquisadora Flávia Pereira Lima, da Universidade Federal de Goiás, a missão de organizar e “traduzir” essas informações para crianças e adolescentes. “Nós montamos esta proposta para fazer esse livro a fim de formar e estimular professores a adotá-los em sala de aula. Não queremos que fiquem disponíveis apenas na biblioteca”, relata a professora. O lançamento do livro está previsto para o primeiro semestre de 2021, quando deve também iniciar a distribuição para alunos das escolas públicas do município de Caldas Novas.

A Aliança da Terra teve papel ativo no projeto. A entidade está presente desde 2019 no PESCaN, onde mantém uma equipe permanente da Brigada Aliança, e foi responsável por viabilizar as parcerias com a Semad e a UFG que permitiram a realização do livro. A equipe da UFG, que envolve a Flávia e o professor Paulo De Marco Júnior, um dos mais importantes pesquisadores brasileiros na área de ecologia, ficou a cargo da produção dos capítulos e da formatação dos conteúdos de forma mais acessível. “Foram muitos pesquisadores empenhados neste trabalho. Essa foi uma forma que encontramos de trazer para a sociedade toda a ciência que vem sendo produzida, as riquezas e belezas do PESCaN”, afirma Caroline Nóbrega, gerente-geral da Aliança da Terra.

O time do PESCaN, chefiado por Maurício Tambellini, contribuiu com conhecimento e apoio à produção dos materiais. “Os profissionais que atuam na área nos ajudaram muito com a produção de imagens e coleta de informações”, afirma Caroline. O livro é dividido em capítulos temáticos. Cada capítulo foi escrito por um pesquisador especializado na área. A ecóloga e gerente de projetos da Aliança da Terra, Danira Padilha, ajudou na definição dos pesquisadores e na coordenação da produção do material, além da revisão e da produção de mapas.

“Flávia transformou textos científicos, em geral difíceis de ler, em textos de divulgação científica, compreensíveis de forma mais simples. Além disso, ela criou personagens, como Jurema, a seriema, que faz a narração do livro”, diz Caroline. Segundo ela, a proposta foi ainda mais interessante por ter envolvido todo o conhecimento científico que vem sendo produzido no Parque ao longo das últimas décadas.



A protagonista

O livro explora a fauna e a flora do Cerrado encontradas no Parque Estadual da Serra de Caldas Novas, é dividido em 14 capítulos e conta com a seriema Jurema como a protagonista da história, que guia o leitor e faz comentários durante toda a obra. Cada capítulo foi produzido por um pesquisador da área apresentada. “Queremos que o conhecimento gerado por esses pesquisadores seja disseminado de forma simples e objetiva. Eu acredito que as crianças e adolescentes podem sim aprender conteúdos aprofundados, desde que sejam ensinados a isso”, pontua Flávia.


Flávia convidou para participar do projeto pesquisadores de várias partes do País. “Neste livro, por exemplo, há colegas de várias universidades. O conhecimento científico está nas redes e nossa função como universidade é deixá-lo acessível para as escolas, para a população em geral. Foi uma experiência muito legal, porque a equipe do PESCaN esteve muito próxima a nós”, destaca Flávia.

A narradora, Jurema, foi escolhida justamente pelo fato de a seriema ser um animal símbolo do Parque. A espécie é comum no Brasil e vive em áreas abertas, como campos e savanas, vegetação típica do Cerrado. “A utilização do animal foi uma escolha do próprio Parque. Foi importante encontrar um representante originário daquele ambiente. Porque, no fim, precisava ter identificação para que fosse possível regionalizar o conhecimento", relata a autora.



Processo de produção

Um dos desafios no momento de produzir a obra, segundo Flávia, foi a dificuldade de captação de recursos. “Sem apoio da Aliança, seria um processo longo para conseguir fundos para a diagramação, as artes e para ter autores”.

Ela cita outro entrave que é o receio do meio acadêmico de produzir materiais para o público infanto-juvenil. “Ainda há uma resistência de professores em produzir conhecimento para o público em idade escolar”, diz.. Flávia afirma ainda que a sua experiência como educadora no Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação da Universidade Federal de Goiás (CEPAE-UFG) a ajudou nessa missão.

Ao ser questionada sobre o porquê de se dedicar a desenvolver projetos para comunidades escolares locais, como a do município de Caldas Novas, Flávia responde que a falta de materiais sobre o cerrado e a sua biodiversidade é o que a motiva. “Ainda há uma quantidade pequena de conhecimento especializado sobre o Bioma voltado ao grupo escolar, e estimular a aprendizagem sobre a fauna e a flora é um incentivo para preservá-las no futuro”, destaca.


Disseminação de Conhecimento

Assim como a produção do livro sobre o PESCaN, diversas frentes de ação da Aliança da Terra buscam aliar conhecimento, biodiversidade e preservação. Caroline Nóbrega cita que o projeto dos quelônios, por exemplo, também prioriza a educação. “Nós envolvemos a comunidade e as crianças. Os alunos de escolas selecionadas sempre participam do momento de soltura dos filhotes, eles aprendem e têm uma nova experiência”, diz. “Mais do que sermos reativos, acreditamos que a conscientização desde a nossa base trará benefícios ecológicos futuros”.

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