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Os perigos de incêndios e queimadas no Cerrado

Professor do Centro Universitário de Brasília fala sobre as principais diferenças em relação a esses dois fatores e de seu impacto sobre um dos biomas brasileiros que mais tem sofrido com focos de calor



De acordo com dados do MapBiomas, o Cerrado foi o alvo de 31,5% do total de queimadas em 2023, tornando-se o segundo bioma que mais foi afetado pelo fogo. A perda com áreas incendiadas chegou a 4,9  milhões de hectares.


Por conta da gravidade desse impacto, e para contribuir com a prevenção dessa situação, o professor de Ciências Biológica do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Stefano Aires, fez uma análise sobre as diferenças entre queimadas e incêndios e as consequências de ambos para a fauna, a flora, os recursos hídricos e o clima da região de maneira geral.


O professor Stefano Aires esclarece que as queimadas são práticas controladas, utilizadas para ajudar a reduzir incidência e o prejuízo do fogo em áreas rurais. Essa medida, realizada de forma planejada e com autorização prévia dos órgãos ambientais, pode ser uma importante ferramenta no sentido de eliminar o acúmulo de material combustível e renovar roças e pastagens ressecadas.


Sendo realizado de forma correta, o manejo do fogo é positivo e está dentro de procedimentos que fazem parte da rotina da Brigada Aliança.


Já em relação aos incêndios, Aires explica ser a incidência do fogo, de forma descontrolada, com origem acidental ou criminosa. “E muitas vezes causada pelo homem”, afirmou o professor.


Quando se trata de incêndio, é comum a situação fugir ao controle, pois além de envolver múltiplos focos, se espalha de maneira muito rápida e abrangente.


A redução do acúmulo de matéria seca – material combustível –é importante para o Cerrado, por ser um bioma naturalmente propício aos incêndios. A combinação de ventos intensos e baixa umidade relativa eleva os riscos, que podem vir a ser uma fatalidade, a partir da queima de pastagem ou de lixo sem o devido cuidado, com o fogo assumindo proporções incontroláveis.


Como explica o professor Aires, os incêndios ocorridos na estação seca, o inverno, têm origem antrópica, ou seja, resulta de alguma ação humana. E acontecem exatamente quando o material combustível está mais seco. Nessas condições, qualquer ocorrência de fogo pode ganhar dimensões enormes, assim como o grau de dificuldade para o combate e o controle.


Além disso, a repetição dessa situação ao longo dos anos deixa marcas que custam muito caro para a produção agropecuária e a preservação, pois prejudica até a capacidade natural da vegetação se regenerar. Esse cenário intensifica a mortalidade de espécies vegetais e animais na área afetada.


O fogo ainda pode remover a cobertura do solo, deixando-o mais exposto ao impacto das chuvas e de outros efeitos climáticos, o que causa erosões e desmoronamento em áreas de encosta.


O solo também acaba sofrendo mais com as altas variações de temperatura, o que provoca a morte de microrganismos e, consequentemente, tira a fertilidade da terra. Dessa forma, a área fica mais desafiadora tanto para o plantio quanto para a regeneração da vegetação nativa. 


Os incêndios de origem natural costumam ocorrer já no começo da época das águas, a estação mais chuvosa, a partir de outubro, quando a parte combustível está mais úmida. “Esses incêndios são iniciados por raios e tendem a atingir áreas menores”, afirmou Aires. “Também ocorrem em maiores intervalos de tempo, permitindo uma regeneração da vegetação nativa.”


As ocorrências de fogo em florestas, de maneira geral, têm grande impacto sobre o clima e o meio ambiente. A queima das plantas contribui para o aumento da temperatura, devido ao excesso de CO2, e redução da umidade, o que também diminui o volume de chuvas, pois a quantidade de plantas responsáveis pela evaporação da água acaba ficando menor.


A prevenção é o melhor caminho para evitar tal cenário evolutivo de degradação. Para isso, de acordo com o professor Aires, é fundamental ter mais fiscalização, capacitação e manutenção de brigadas de incêndio permanentes próximas à área de interesse. “E uma possível ampliação do número de brigadistas. Assim como renovação de equipamentos e viaturas”, disse.


O especialista destaca ainda a relevância da educação ambiental e da conscientização da população sobre o perigo gerado pelo fogo, “que pode gerar riscos aos assentamentos urbanos e à vida das pessoas”.


A Brigada Aliança consegue resultados muito positivos em combate, controle e prevenção do fogo exatamente porque combina tecnologia social, visão e ação estratégicas em campo, inteligência digital e liderança. 

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