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O que aprendemos com o El NiƱo

  • luizfsa7
  • 29 de jun. de 2023
  • 3 min de leitura

A cada ano que esse fenÓmeno climÔtico reaparece, os riscos de queimadas voltam às manchetes e a preocupação com perdas agrícolas se repete. Esse entendimento pode ir além para gerar providências diferentes



O El Niño estÔ de volta. A confirmação vem do Centro de Previsão ClimÔtica da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), como noticiado pelo Portal Uol. A reportagem ainda informa que, agora, o fenÓmeno climÔtico pode ser o mais intenso dos últimos 70 anos. Comunicação semelhante foi publicada pelo Olhar Digital, com informações do Bureau de Meteorologia da AustrÔlia, alertando que poderÔ ser o pior de todos os tempos.


As notƭcias lembram as manchetes de 2016, como a do Portal G1, anunciando os grandes impactos do El NiƱo naquele perƭodo. Tem sido assim sempre que esse fenƓmeno ressurge, intercalado com a La NiƱa: uma avalanche de manchetes sobre os efeitos das consequentes mudanƧas climƔticas.


Isso não acontece por acaso. De fato, as alterações nas condições do clima causadas pelo El Niño são motivo de preocupação. Sobretudo em relação às florestas e à produção agropecuÔria, pelos riscos de aumento de queimadas. O fenÓmeno tende a tornar mais crítico o jÔ complicado período seco na AmazÓnia, que vai do início do inverno até setembro, de acordo com o geógrafo, professor e pesquisador da Universidade Estadual de GoiÔs (UEG), Giuliano Novais. O especialista, inclusive, deu um depoimento para a Aliança da Terra sobre esse cenÔrio.


Segundo Novais, embora nĆ£o existam muitos estudos sobre os efeitos do El NiƱo no Cerrado, o estado de alerta permanece. ā€œSe a AmazĆ“nia vai estar mais quente e seca, e nosso Cerrado jĆ” Ć© seco, a junção desses dois fenĆ“menos intensifica a formação de queimadasā€, disse.


ā€œDevemos ter muito cuidado com as queimadas no meio do ano, durante esse perĆ­odo de El NiƱo, podendo se estender atĆ© o final do ano.ā€ A opiniĆ£o do professor da UEG só reforƧa o que as equipes da AlianƧa da Terra jĆ” tĆŖm constatado pelas aƧƵes de combate, prevenção e monitoramento do fogo.


Impacto econƓmico


A importância da atenção com as queimadas em períodos de El Niño é proporcional aos prejuízos que o fogo pode causar. Não são poucos os relatos de produtores rurais que perderam lavouras, Ôreas de pastagem, animais e boa parte de sua infraestrutura.


Caroline Nóbrega, diretora-geral da AlianƧa da Terra, chama a atenção para o efeito cascata desse perigo. ā€œOs incĆŖndios podem causar, inclusive, perda de fertilidade do solo, o que prejudica a safra futuraā€, explica. ā€œE nĆ£o apenas por causa da perda de nutrientes, mas tambĆ©m da riqueza biológica da terra.ā€


Segundo dados da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), quando uma fazenda é atingida por um incêndio, no ano seguinte as perdas de produtividade chegam a dez sacas por hectare na soja e até cinco sacas por hectare no milho. E a recuperação da fertilidade do solo pode levar de 3 a 5 anos.


Em relação às perdas com benfeitorias, o valor passa de R$ 4,2 mil por hectare. No caso de maquinÔrio destruído pelo fogo, o custo para reposição varia entre R$ 500 mil e R$ 1,5 milhão.


A situação não é diferente para as pastagens, pois cada hectare destruído por um incêndio vai demandar entre R$ 4 mil e 5 mil em investimento para a restauração, de acordo com a Associação dos Criadores do Mato Grosso (Acrimat).


Em infraestrutura, a reconstrução de cercas, por exemplo, terÔ um custo de R$ 10 mil por quilÓmetro de extensão. JÔ um curral atingido pelo fogo precisarÔ de investimento mínimo de R$ 300 mil para votar a funcionar, enquanto a reposição de maquinÔrio custarÔ entre R$ 300 mil e R$ 400 mil.


O prejuízo financeiro não é exclusividade do agronegócio. E os danos podem se estender por anos, em uma anÔlise mais abrangente. Ao menos é o que diz artigo publicado na revista Science, que considera a possibilidade de o El Niño atual causar prejuízos de US$ 3 trilhões na economia global até 2029, como divulgado pelo Olhar Digital.


Esse valor vem da comparação com um cenÔrio sem a ocorrência do fenÓmeno meteorológico. E a projeção é baseada no balanço de impactos econÓmicos anteriores. Em 1982-83, por exemplo, a perda de renda mundial somou US$ 4,1 trilhões em um prazo de cinco anos. Nesse mesmo período de tempo, o El Niño de 1997-98 tirou US$ 5,7 trilhões da economia global.

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