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As cicatrizes do fogo são reveladoras

Marcas deixadas pelos incêndios florestais podem recuperar o histórico de um fogo que aconteceu há semanas ou, em alguns casos, há meses. Com esses dados é possível inferir frequência, severidade, abrangência e outras características das ocorrências


Uma das ferramentas mais valiosas para o combate, o controle e a prevenção de incêndios em matas e florestas é a informação. E o histórico do fogo tem uma importância decisiva para definir as estratégias de qualquer operação.


A gente já falou sobre os dados da Coleção 2 do MapBiomas Fogo, que mostram 185,7 milhões de hectares queimados no Brasil entre os anos de 1985 e 2022. É o equivalente a 21,8% do território nacional, que soma 851 milhões de hectares. A confirmação desses dados tão impressionantes foi obtida a partir das cicatrizes dos incêndios.


Essas marcas deixadas pelo fogo, capturadas por satélites e processadas em nuvem são como fotografias do impacto causado pelos incêndios, e que podem revelar muito sobre as ocorrências. As cicatrizes mostram, por exemplo, que a área queimada no Brasil em 38 anos corresponde ao território de Chile e Colômbia juntos.


O trabalho do MapBiomas destaca outro fator importante em relação ao registro do fogo: é preciso ter uma série histórica. Embora a imagem pura e simples de uma queimada possa informar sua localização e sua dimensão, somente com um acompanhamento constante é possível identificar se o incêndio foi mais longo, se ocorreu em áreas reincidentes ou onde ainda não havia acontecido queimada.


A Aliança da Terra utiliza essas informações para definir as ações da Brigada Aliança, incluindo áreas prioritárias para a implantação de novas equipes e qual a melhor estratégia de atuação em cada local.


Quanto mais volume e qualidade nos dados sobre fogo, melhores são as condições para definir as prioridades nas ações, e a estratégia para agir. A riqueza das informações também ajuda a reconhecer se as ocorrências estão em uma área com vegetação mais adaptada ou mais sensível ao fogo. Independentemente da vegetação ou da época do ano, o fogo sempre gerará um impacto.


As questões centrais são qual a intensidade do impacto e qual a capacidade dessa vegetação se recuperar do dano sofrido. Apesar de o Cerrado ser considerado um bioma adaptado ao fogo, algumas de suas vegetações são altamente sensíveis e podem ser afetadas de maneira profunda pelo fogo. Esse é o caso das Veredas, áreas úmidas e de grande biodiversidade do bioma.


Visão panorâmica

O MapBiomas Fogo é uma rica fonte de informações, mas também possui limitações. Apesar de fornecer valiosas informações para todo o País, hoje esses dados ainda possuem alguns erros em escalas muito finas.


Como a Brigada Aliança precisa de informações muito detalhadas em seu trabalho, a Aliança da Terra desenvolveu metodologia própria e hoje conta com um time de especialistas capazes de gerar cicatrizes de área queimada com altíssima precisão e acurácia.


“Quando estamos produzindo um determinado diagnóstico para uma fazenda, não basta dizer se a área queimou ou não, também devemos indicar com precisão onde queimou. Se o fogo atingiu apenas áreas produtivas ou também áreas de vegetação natural”, afirma Caroline Nóbrega, diretora-geral e pesquisadora da Aliança da Terra. “Essas informações são essenciais para a tomada de decisões em campo e, atualmente, são produzidas por nosso time de especialistas.”


A Aliança da Terra utiliza imagens de dois satélites para fazer a cobertura das cicatrizes do fogo. Um deles é o Sentinel 2, equipamento europeu lançado em 2015 que passa pelo mesmo local a cada cinco dias. Sua resolução é de 10mx10m, o que dá um pouco mais de precisão.


O segundo é o Landsat, que apresenta uma janela de visualização menor, pois passa de 15 em 15 dias, e pixel de resolução maior (30mx30m). No entanto, oferece uma base de dados mais extensa nas séries históricas, pois começou a ser utilizado nos anos 1980.


A amplitude da cobertura temporal e de área em relação às cicatrizes do fogo, com a utilização desses dois satélites, torna a ação da Aliança da Terra ainda mais primorosa. Desde 2009, a Brigada Aliança vem se moldando, evoluindo com base em treinamentos, qualificações e uso de novas tecnologias. Há um grande diferencial que é a inteligência com a qual as equipes analisam e trabalham essas informações.


Não se avalia dados de forma isolada, mas de maneira conjunta, mantendo muito bem encaixadas as engrenagens das operações de prevenção e controle do fogo. Essa linha estratégica de trabalho vem dando resultado. Exemplo desse êxito é o relatório sobre queimadas feito pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Goiás, estado onde a Brigada Aliança tem ampla atuação.


O levantamento mostrou áreas que nunca queimaram, mesmo em Unidades de Conservação frequentemente expostas ao fogo. Porque algumas áreas queimam com alta frequência enquanto outras áreas próximas permanecem “intactas”. A análise das cicatrizes e do padrão de queimadas nos permite avaliar padrões, identificar áreas sensíveis e estabelecer estratégias e prioridades na atuação em campo.


Daí a importância da ação integrada das equipes técnica-operacional e técnica-científica da Aliança da Terra, que fazem uma conexão valiosa entre as informações do que está acontecendo no campo, em tempo real, e as análises de séries históricas realizadas internamente.


Com informações cada vez mais qualificadas, as ações de prevenção e combate ao fogo executados em campo passam a adquirir um caráter cada vez mais técnico e estratégico.


A Aliança da Terra trabalha para evitar que o fogo aconteça, não apenas para combatê-lo. Isso envolve toda uma preparação antes da temporada de queimadas, a manutenção das áreas acesso para garantir que os Guerreiros do Fogo cheguem rapidamente e em segurança aos locais de operação, o conhecimento dessas regiões, a expertise dos líderes de equipe.


Esses são alguns dos motivos que fazem da Brigada Aliança um grupo de elite extremamente bem-preparado para o combate, o controle e a prevenção de incêndios.

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