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Todos contra o fogo

Como funciona o PPCIF, projeto da Aliança da Terra que visa instruir produtores e funcionários de propriedades rurais para o desenvolvimento de ações necessárias para a prevenção e o combate de incêndios florestais



Cada base da Brigada Aliança possui, em média, cinco Guerreiros do Fogo. Parece pouco, diante do seu raio de atuação – que chega a ir além de 100 quilômetros de distância – e da magnitude de alguns incêndios florestais. A qualificação dos brigadistas, o conhecimento da ciência do fogo e a capacidade de treinamento e engajamento de voluntários fazem, no entanto, que essa força se multiplique, resultando em operações de combate que chegam a reunir dezenas de pessoas.


Por esse motivo, disseminar o acesso a técnicas de prevenção e combate e capacitar equipes em propriedades rurais têm sido uma das principais missões das equipes da Brigada. Este ano, a entidade ampliou seus esforços nos treinamentos focados nos produtores rurais e seus funcionários e desenvolveu um projeto exclusivo para propriedades que desejam estar ainda mais preparadas para evitar ou enfrentar os incêndios: o Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PPCIF).


O programa já está sendo aplicado em fazendas da região do Pantanal, onde a Brigada Aliança mantém cinco bases - quatro localizadas no Mato Grosso (em Araputanga, Cáceres, Poconé e Pedra Preta) e uma no Mato Grosso do Sul (em Anastácio). O projeto consiste na visita às propriedades antes da temporada de seca, o que possibilita uma vistoria geral capaz de identificar o que deve ser feito para reduzir os riscos de incêndio. A Brigada, então, passa a conhecer a realidade da propriedade e pode treinar uma equipe de funcionários.


“A ideia é ter pelo menos dois, três funcionários capacitados em cada fazenda para executar ações de prevenção, monitoramento de risco de incêndio e primeira resposta. Quando se trata de fogo, a primeira resposta é decisiva”, afirma Caroline Nóbrega, gerente geral da ONG Aliança da Terra.


Ela diz que o funcionário capacitado consegue identificar um potencial risco de fogo e que, com uma equipe minimamente capacitada e equipada, já pode suprimir o incêndio no início. Em caso de proliferação do fogo, o contato com a brigada mais próxima é direto e, sendo acionadas, as equipes iniciam o deslocamento.

“Quando uma fazenda é cadastrada, toda a vizinhança ganha. Um incêndio pode adentrar muitas propriedades e prejudicar toda a comunidade. Desse jeito, todos os envolvidos na região são beneficiados”, reforça Isafas Balke, líder da base da Brigada Aliança em Pedra Preta (MT), atualmente à frente do projeto.


Segundo Balke, o maior problema que as propriedades enfrentam no momento do fogo é a desorganização. “Vemos que se cria um caos. As fazendas normalmente têm uma organização, com gerente, o capataz, o encarregado de máquinas, um quadro funcional bem definido. Conforme um incêndio vai ganhando proporções, perde-se a organização”.


Na hora do incêndio, o que costuma ocorrer com equipes sem treinamento é a falta de preparo para lidar com a situação. Não há funções definidas, medidas de prevenção, noções de como manter equipamentos, como realizar a manutenção de infraestrutura da fazenda. “No PPCIF, trabalhamos no sentido de organizar os recursos disponíveis na propriedade com foco na segurança”, afirma Balke.

Treinamentos básicos


As bases da Brigada Aliança no Pantanal monitoram atualmente mais de 150 propriedades cadastradas dentro de um programa de prevenção e combate patrocinado pela JBS/Friboi. Ao longo do mês de maio todas as bases ofereceram treinamentos básicos de prevenção e combate às equipes dessas fazendas.


Até o ano passado os treinamentos duravam três dias. Este ano, em função de solicitações de produtores, que alegam não poder abrir mão dos funcionários por tanto tempo, o curso foi condensado em formatos mais rápidos, com dois ou mesmo um dia, visando uma maior adesão. Caroline explica que a distinção possibilita que diferentes fazendas possam participar e que o foco é agregar funcionários e produtores para preparação para próxima temporada do fogo, que vem se iniciando cada vez mais cedo.


“Anos atrás, a temporada de incêndios começava em meados de agosto. Ano passado, já tínhamos combates em junho. Neste ano, nossa equipe já teve combates em Goiás”.


Os resultados desses esforços já são contabilizados pela Aliança da Terra. Ao tratar de noções básicas, o treinamento visa a prevenção e segurança e ensina a identificar áreas mais vulneráveis ao fogo, zonas de segurança, rotas de fuga e equipamentos básicos em cada propriedade. Ao falar de prevenção, Balke comenta que o trabalho da brigada na fazenda vai muito além do combate. “Visitamos moradores da comunidade, assentamentos e orientamos as boas práticas do combate ao fogo. Unimos forças com todos para termos mais êxito no combate”.


Caroline aponta que, para este ano, a previsão é de 200 voluntários formados só no Pantanal. Para os cursos, será concedida preferência para fazendas já cadastradas. Havendo vagas disponíveis, pode-se abrir para outros públicos e outras propriedades da região.


“O fogo não tem fronteira. Quanto mais uma comunidade é capacitada, maior a proteção. Ano passado, foram 104 incêndios combatidos pela Brigada Aliança no Pantanal. A maior parte foi combatida fora das zonas cadastradas. Eliminando fogo do entorno, ele não atinge as fazendas monitoradas”.


Para contato direto com a Aliança da Terra: info@aliancadaterra.org


Texto: Amanda Raíssa

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