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“Combater incêndio é um desafio. Tem sempre algo novo para aprender”

Um dos primeiros integrantes da Brigada Aliança, o comandante de operações e treinamentos no Pantanal, Osmano Santos, compartilha os aprendizados de mais de uma década de combatre ao fogo



A frase motivacional “faça aquilo que você ama, e nunca terá que trabalhar um dia na vida” é personificada em Osmano Santos, líder da Brigada de Anastácio e comandante de operações e treinamentos no Pantanal. Há mais de uma década ele veste o uniforme da Brigada Aliança, e sempre com a mesma. “Desde quando eu entrei, eu mantenho a minha motivação. Eu não gosto de combater incêndio - eu amo o que eu faço. A garra que tinha quando eu entrei, tenho até hoje e tento passar para os iniciantes”, afirma.


Santos traz o amor pela pela preservação do meio ambiente de casa, herdada de seu pai, que era produtor rural. "Meu pai plantava para sustentar a família e sempre falava em fazer aceiros quando ia queimar a roça. Avisava os vizinhos, fazia aceiro na beira da cerca com enxada e queimava em volta do pasto. Ele falava de reserva, que tem de deixar a mata pros animais. Naquela época eu não entendia, mas depois que fui estudando percebi que ele já tinha essa visão, que nem todos tinham, de preservar o meio ambiente.”


A carreira de Santos com a Brigada se iniciou em meados de 2009, quando ele ainda trabalhava de forma voluntária na fiscalização de pesca em Novo Santo Antônio, no Mato Grosso. Na época, ele já conhecia o Projeto Quelônios do Rio das Mortes, que, assim como a Brigada, é uma iniciativa da Aliança da Terra. Foi coordenador do projeto, Gedeon Alves de Sousa, quem lhe contou sobre o primeiro treinamento de brigadistas organizado pela Aliança.

“Eu conhecia o Edimar (Abreu, comandante geral da Brigada) de vista, e sabia que ele trabalhava para o gringo (John Carter, idealizador e fundador), mas não sabia da Aliança da Terra. Eu e o Gedeon tínhamos mais conversa e ele me contou dos projetos da ONG. Quando saíram o treinamento de prevenção e combate a incêndio florestal e os planos de criar a Brigada, eu fui um dos primeiros a inscrever”, relembra. "Sempre tive esse interesse em trabalhar em prol do meio ambiente para um empresa que realmente fosse séria e que coloca a prática em campo. É por isso que deu certo até agora.”



O primeiro treinamento que Santos participou foi em Água Boa (MT). “Foi um desafio porque todos nós achamos que sabemos apagar fogo. Temos noção - jogar água, quebrar um galho e bater em cima. Mas para combater incêndio com segurança, eficiência e eficácia precisa de um treinamento”, explica. Após cinco dias de imersão, os guerreiros iniciaram o trabalho em campo. “Depois do treinamento, a gente vai com muita expectativa porque é tudo muito novo. É um pouco confuso para colocar em prática. A pressa de chegar no local, a ansiedade para resolver o problema e ajudar os produtores.”


Hoje, Santos já sabe conter a ansiedade e a pressa, que são inimigas da perfeição. Outra habilidade que é preciso para combater incêndios é a adaptação. “As vezes você monta um plano e começa o combate direto, usando o abafador. De repente, o vento muda, você vai ter que mudar sua ação, porque o calor aumenta e você não consegue mais chegar perto. Você tem que recuar, analisar de novo. O combate é perigoso e envolve muita coisa: equipamento, bem-estar das pessoas e dos animais - tudo isso é analisado. Combater incêndio não é uma receita de bolo - de acordo com a situação, você ajusta e adapta a ação.”



Treinamento de futuros guerreiros


Além de líder da Brigada de Anastácio, Santos também coordena a preparação das equipes. As lições que ele passa aos participantes são baseadas em segurança e gerenciamento de risco. “A segurança da equipe está no guerreiro preparado para atuar em várias situações e em tomadas de decisões difíceis. É como ir para a guerra. Um soldado bem treinado, se você der uma faca pra ele e colocá-lo no meio da Amazônia, ele vai conseguir sair de lá vivo. Não é porque eu tenho os melhores equipamentos e EPIs que eu vou sair bem. É tudo sobre o treinamento e capacitação. Prezamos muito isso no treinamento.”


Durante a capacitação, Santos faz questão de ressaltar a importância do plano de carreira. “A gente prepara o guerreiro de baixo pra cima. Pra você chegar a ser líder não basta fazer o curso de liderança, tem que começar de baixo”, ele explica. As experiências em campo e os desafios enfrentados em diversos tipos de combates são o que constroem e moldam um líder capaz de tomar decisões rápidas em campo. Após uma década em combates florestais, Santos acredita que cada dia é uma oportunidade de aprendizado. “Até hoje combater incêndio é um desafio. A gente tá sempre aprendendo coisa nova, algo novo pra se aprender.”

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